quarta-feira, 29 de julho de 2020

MEU OUTRO EU

...Ri e chora com a mesma facilidade e intensidade.
  Meu outro eu é inteiro, leal aos sentimentos e pessoas.
Precisa de pouco para sentir grande alegria; Coisas simples, despertam a gratidão por estar vivo.
Gosta de silêncio, mas ama conversar!
Conversas simples, com pessoas que valorizam o que temos no nosso interior.
Tem espírito jovem, meio adolescente, ainda que tenha se tornado maduro muito cedo.
A solitude o faz bem. Gosta de estar assim...eu, com meu Eu. Se analisa, se descobre, busca se aceitar, sempre!
É discreto, não gosta de chamar atenção. Mas ama roupas coloridas, as vezes tem unhas pintadas em todos os tons de lilás, azuis ou rosa.
Admira a simplicidade, gosta de andar por caminhos sinuosos, contemplando a natureza. 
Ainda acredita no amor verdadeiro, cheio de cumplicidade, afeto, onde se caminha de mãos dadas, na mesma direção.
Guarda o romantismo de olhar a lua, receber flores, deixar bilhetes carinhosos...
Tem sonhos guardados, tem força, fé, tem esperança.
 Tem a delicadeza do amanhecer de outono, e a inquietude de uma tempestade...
 Meu outro eu, tem a alma sempre em prece, o coração cheio de amor, a ansiedade do amanhã.

quinta-feira, 25 de junho de 2020

SILENCIEI

Silenciei... 
Para ouvir o que fala meu coração. 
Me respeitando, me aceitando com todas as minhas fragilidades e medos.
Silenciei para olhar meu íntimo, mais uma vez...
E ver que, ainda vago meio sem rumo, a procura de onde desaguar todo meu desejo de me pertencer, ser inteira, ser Eu.
Silenciei, para ouvir minha alma gritando, todo desejo de voar.
E entendi, ainda não é tempo de abrir as asas, sair do meu interior... Ainda não estou inteira, nem sei se estarei.
Preciso me refugiar, me guardar.
Ando em processo de cura, de busca, de resgate, do que o Pânico roubou de mim!

sábado, 16 de maio de 2020

ENCONTRO MARCADO

Vou seguindo, cautelosa, coração amedrontado, pura fragilidade...
Mente inquieta, alma ferida, olhar perdido no vazio de sonhos que dormem dentro de mim.
Olhar no espelho e não me ver,
fechar os olhos e não me encontrar, é ser eu, sem me pertencer.
Confuso, sim!
Impossível, não!
A vida me testando, talvez!
 A cada passo, em silêncio, vou deixando me guiar pela esperança.
Sem perder minha essência, vou me refazendo.
Recolher também é parte da cura, do resgate de si, da espera. Do encontro marcado pro futuro, mesmo sem data definida.
A espera é longa, eu sei...
 

terça-feira, 21 de abril de 2020

GERMINANDO


Ano passado, no dia 18 de Abril, ganhei um texto lindo, poético, escrito por uma amiga muito querida. Um presente de aniversário lindo! Coloquei aqui no blog.

 Este ano, fui surpreendida por um poema sensível, que desvenda minha alma, meu ser.
Foi presente de outra amiga querida, que o blog me trouxe.
Ainda não nos conhecemos pessoalmente, mas conhecemos o coração uma da outra.
Me emocionei, me vi em cada palavra.
Obrigada, querida Sônia!

GERMINANDO

Minha alma jovem dançava leve como uma flolha
ao ritmo de uma brisa suave, fresca e perfumada a jasmim.
Meus pés cruzavam o caminho de terra batida, com rapidez e segurança, enquanto os olhos se perdiam no azul do céu.
Amar e sorrir era tão fácil.
Mas houve uma fase em que a alegria se tornou escassa, alma tolhida, amedrontada.
A dança deixou de fazer parte dos meus dias, pois tudo se tornou fardo, um peso aos meus ombros já cansados.
Hoje, reaprendendo a respirar, com mais leveza, tentando resgatar minha essência de luz e força.
A metamorfose vem acontecendo aos poucos, como semente frágil que rompe o solo numa manhã de sol intenso.
 Me agarro na poesia que brota dentro de mim e que me ajuda a transpor essa experiência de deserto, vencer as agruras , curar  as mágoas.
Aos poucos, ouço novamente a música que o vento sopra  ao meu ouvido, sinto vontade de dançar.
E eu danço, rodopiando abraçada a mim mesma, entre lágrimas e sorrisos.
Num encontro daquela que fui, com a mulher que estou descobrindo hoje.
Uma mulher que nasce depois de uma tempestade de emoções.

Me encontro. Me resgato. me dou as mãos.
Saúdo a vida.
Vida que flui, que se transforma e me transforma.
Instinto de sobrevivência, interiorização, intuição.
Sou semente teimosa, que ousa ser flor e perfume.
Germino.
Sonhando com a primavera interior que se aproxima...

quarta-feira, 25 de março de 2020

QUANDO MEU OUTONO CHEGAR

Quando comecei meu blog...
Sempre amei escrever, para mim uma necessidade  da  alma.
Me coloco nas palavras, me entendo ao escrever o que tenho dentro de mim.
Sempre escrevi. Desde menina deixo registros dos meus sentimentos em papeis soltos, escondidos entre páginas de livros e em um diário que foi rasgado há uns anos...
Não é segredo para quem me acompanha aqui, que vivi um casamento longo e abusivo, triste... Foi quando ele leu meu diário que precisei parar de escrever, então ele foi destruído.
Mas, precisava escrever. Escrevia em folhas de caderno, lia e e queimava. Me aquietou por um tempo, mas as palavras que não escrevo me sufocam. Então surgiu,  tímido como eu e  como um por de sol de outono , o meu blog.
Cheio de nuvens, por vezes escuras, outras vezes avermelhadas, brilhantes, misteriosas...
 
Era um tempo onde eu ansiava por mudança, por libertação, por transformação. Primeiro no meu interior, depois, assim como as arvores no outono, me despir de tudo envelhecido, machucado, para dar lugar ao novo, a renovação.
Não sei quando comecei a amar o outono, só sei que as folhas  caindo, mudando de cor, sendo varridas por ventos suaves que sopram principalmente nos fins de tardes, me encantam!
Então percebi a semelhança entre o outono e o que eu sentia.
A ânsia de mudança, mas não era ainda a minha estação.
Precisava mudar as folhas, perder galhos, deixar de florir e frutificar, adormecer dentro de mim e ficar a espera de Quando Meu Outono Chegar.
 

sexta-feira, 6 de março de 2020

EU...


Acho que estou mesmo velha, perdendo a capacidade de me reinventar, de renascer, de reviver, de reconstruir...
Antes eu era como uma corrente de água forte que contornava os obstáculos, abria brechas  entre as rochas e seguia sempre em frente. As vezes eu era como a água calma, fraquinha...mas me serpenteava, contorcia a procura de um lugar onde eu pudesse desaguar e continuar meu percurso. Seguia sem medo.  Muitas vezes sem saber para onde, mas seguia. Seguia com fé, na esperança de desaguar em um rio calmo e seguir para o mar, depois descansar na praia... Nunca encontrei a praia, nunca descansei...
Hoje, não sou uma corrente de água que secou, mas como uma borboleta que foi tirada do casulo antes do tempo. Frágil, assustada... Ou melhor, uma borboleta velha, que teve as asas machucadas e não consegui mais voar. Remendos  não servem para consertar asas, o peso atrapalha o voo. Não tem como voltar a ser casulo, para começar do começo, ter asas novas...já se foi essa fase.
Sei que não voltarei a ser como antes. Contento em voar baixinho, em pequenos voos, mas sem tanto medo, sabendo a direção.
Talvez, quem sabe, voltar a ser como água cristalina, que segue calma, serena, seu curso tranquilo  entre as margens de areia, onde borboletas venham descansar.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2020

SOU ASSIM

Sou assim; de fases.
Vez ou outra, me fecho, me guardo.
Uma defesa, uma proteção!?
Uma busca, ou um encontro!?
Sei lá!
As vezes sou pedaços, mesmo sendo inteira.
Outras vezes, explosão, mesmo sendo calmaria.
Sou riso e lágrima,
esperança e medo.
Sou coração, quase nunca razão.
Sou intensa e suave,
sou mistério e revelação.
Sou assim; medo e coragem,
paz e guerra brigam dentro de mim.